domingo, dezembro 19, 2004

Os degraus de Laura

Hoje de manhã levantei-me cedo como gosto de fazer e, no silêncio, enquanto todos dormem e depois de ter tratado dos gatos, liguei a televisão e estava a começar, em repetição, uma entrevista com alguém que gosto.
Fiquei ali, aninhado no sofá, a suportar a voz irritante de betinho ou tio de Cascais do entrevistador, porque a entrevistada tinha muito para contar, para partilhar.
Adorei a entrevista e gostei de compreender algumas coisas.
Já acompanho, desde sempre - acho eu - a carreira dela e sinto a falta de trabalhos e de novidades.
Comigo funciona assim. Se gosto de um cantor ou actor, "alimento-me" avidamente da sua arte e sigo - silenciosamente - as suas passadas esperando sempre mais e mais... Chega a um ponto em que acho que é da responsabilidade do artista continuar a trabalhar, a fazer, a inovar, a continuar a dar-nos prazer com a beleza da sua arte. Acho que é para isso que eles vivem. Chamemos-lhe um mutualismo artístico. Eles vivem das nossas "palmas" e nós vivemos da sua expressão artística.
Por isso entristece-me quando fico muito tempo sem ouvir nada de alguém que gosto.
Mais me entristece quando qualquer "loura burra" ou pimbalhão grava um disco e há tanta gente com talento e bom gosto que não consegue trabalhar porque não é arte que manda, mas sim o dinheiro, os lucros, as audiências...
Só me resta dizer que eu também não desisto. Que continuo à espera!
;-)
Entretanto vou subindo, step by step, os degraus de Laura...


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