domingo, fevereiro 12, 2006

Brokeback Mountain

Acabado de sair da sala de cinema do El Corte Inglés, não me consigo ir deitar devido à intensidade com que assisti ao filme.

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Não gostei. Não gostei de me ver retratado. Não gostei que mostrassem aos heteros (pensei antes escrever "aos outros") os meus sofrimentos. Senti-me despido. Não acho que tinham o direito de me expôr assim.
Li o conto enviado pelo Boss por email - thanks again! - sentado num parque em Londres em Setembro, enquanto os meus amigos viam monumentos e assistiam ao render da guarda da rainha! Gostei da história, mas não a achei tão intensa como achei o filme. As expressões, os olhares e os silêncios fizeram toda a diferença.

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Não acho que seja um filme para ganhar Óscars, nem considero que todos os prémios que ganhou até hoje sejam por as pessoas gostarem da história, por ter uma realização fora do normal ou por acharem que é um filme espantoso. talvez tenha ganho alguns prémios porque as pessoas são hipócritas!
Um amigo meu comentava à saída do filme que havia tanta gente hetero que gostou do filme. Será? Eu acho que muitos saíram do filme satisfeitos por este retratar um amor impossível e por uma das personagens ter morrido devido ao rebentamento de um pneu. Para muitos que vão ver e gostaram do filme, essa será talvez a melhor parte e até acham que devíamos morrer todos devido a rebentamentos de pneus e ser deixados a sufocar no nosso próprio sangue. Daí saírem tão satisfeitos. Daí atribuirem tantos prémios ao filme.

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Este filme coloco-o numa prateleira no meu coração, guardado ao lado do romance "Salto Mortal" da Marion Zimmer Bradley e do poema "Funeral Blues" de W.H. Auden e poucas coisas mais.
Este é um filme que eu queria só para mim. Para ver quando precisar. Sozinho, pois só eu e mais alguns o entendemos. Este filme foi feito para nós.
À autora do conto e ao realizador do filme, Thank You!
1 da manhã
12 de Março de 2006

5 comentários:

Flávio disse...

Ou seja, o filme não é bom por ser demasiado verdadeiro e os heterossexuais gostarem dele. Irrita-me um bocado a auto-comiseração da comunidade gay e essa mentalidade de gueto. E irrita-me ainda mais que as pessoas formulem juizos estéticos sobre os filmes apenas com base em razões de ideologia.

Mais: a cena 'do pneu' é uma das mais belas do filme. Não quer dizer que as pessoas que gostaram do filme subscrevam a morte do Gyllenhaal. Nem significa que essa morte seja gratuita ou manipulativa, pois ela faz todo o sentido na economia do filme. A intenção do realizador é clara e admirável: denunciar a violência contra os homossexuais e o véu de hipocrisia que tantas vezes a cobre.

Pelos vistos, isso faz dele um filme homofóbico, não sei.

Draco disse...

E pode ser visto como um filme homofóbico. Depende dos olhos que os vêem. É como as caricaturas de Maomé.
Escrevi o que escrevi "a quente" e posso ter dado uma idéia errada. O filme não é BOM... é FANTÁSTICO!
Eu por acaso não tenho a mentalidade de gueto, nem acredito numa "comunidade" homossexual. Para mim sou tão pessoa como os outros e ponto final. Estou - neste momento - completamente á parte dessas ideologias.
No entanto irrita-me tenham que haver cenas de pneus em quase todos os filmes. Não pode haver um final feliz, nem que seja uma vez por acaso???? E porque é que haviam risos de cada vez que havia uma demonstração de afecto entre os dois personagens??? Eu até fui ver o filme no El Corte Inglés porque supostamente são cinemas frequentados por gente com um QI um bocadinho superior (pensava eu).
A denuncia da violência só é vista pelos gays - e pronto, mais alguns também, reconheço que foi um exagero da minha parte - mas já ouvi opiniões de que foram umas porradas bem merecidas.

Se não viu, veja o filme "Big Eden", de 2001. Um filme diferente mas com - finalmente - um final feliz!

luciano. disse...

Desde as rodagens que tenho esperado por esse filme. Senti desde o principio que não seria apenas um western gay por estar Ang Lee a dirigi-lo. Um realizador que acompanhado desde muito tempo. E essa semana, quando o vi, numa sala onde ninguém riu de nada, me senti marcado. Foi um imapcto imenso que só escapou de mim quando entrei no carro e chorei vigorosamente.
A perda de Jack Twist é o que há de pior, mas a morte dele surge para evidenciar outras, evidentemente, e angustiou-me saber que Ennis ficaria sozinho naquele trailer. Ainda fico com aquelas cenas na cabeça.
É claro que estou assim porque sou gay e o filme trata disso, mas não ligo que tenha sido exposto aos heteros. É inevitável, aliás, que passe a acontecer com mais frequencia. E acredito que os heteros possam ter se comovido sim, há muitos heteros por aí diferente daquilo que imaginamos. E afinal, é um amor humano, e é um amor forte.
Mas talvez o pior de tudo, foi ter absorvido o filme e sentir falta daquilo.
Senti inveja dos dois, de seu amor, de sua história. Amor gay não é impossivél, mas considero dificil e tenho vivido sem isso até hoje, não por escolha própria, claro.
Na pausa do trabalho tornei ir ve-lo, havia muitas pessoas idosas lá,e alguns jovens também, que riram quando eles se beijaram, ou foderam. Mas são jovens e é isso o que eles fazem nessas ocasiões. E também estou cagando para isso.
E notei uma coisa que havia me passado despercebido da primeira vez, a camisa suja de sangue de Ennis que Jack pegou e escondeu juntamente com a sua, em seu quarto de criança. Aquilo doeu.
Essa questão da homofobia, na minha opinião, é equivocada. Os homofobicos sequer aguentam ir ver esse filme, ou ve-lo até o fim. E isso também não me interessa, o que me interessa é que as pessoas que vão ver o filme consigam senti-lo que o amor deve ser respeitado, seja ele como for. O que me interessa são as histórias. BrokenBack Mountain, por tudo aquilo que mostrou, e por tudo aquilo que nos deixa a imaginar, é uma grande história. E grandiosa também pelas suas corajosas interpretações.
Poderia ter um final feliz, convinha a muita gente que tivesse; porém certamente, muitas pessoas não teriam sido marcadas como eu, ou sentiriam tão intensamente a dor de Ennis Del Mar e Jack Twist.

Homossexual e Pai disse...

Amigo! adorei seu "não gostar" de BrokeBack! muito inteligente e bem humorado!
Eu , por outro lado,quero ver meu AMOR cada vezmais escancarado para ver se as igrejas param de se preocupar com ele e vão cuidar de suas vidas!
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fabio

Nuno Cargaleiro disse...

Só um pequeno comentário sobre o amor impossivel e sobre a "morte" de Jack...

Sobre o amor, ele sobrevive sempre, ou seja,... podem deixar de poder ficar junto, mas o amor esse, permanece e fica mais vivo que nunca...

Sobre a morte, não se sabe se ele é morto ou se a historia é outra. Quem vê as imagens de morte é Ennis, que vê as imagens que sempre o impediu de concretizar a sua paixão... Assim, no fundo é um aviso... Cuidem bem do que gostam e de quem gostam, aproveitem, pois um dia podem deixar de ter essa oportunidade