sábado, setembro 09, 2006

Igor

O que fazer quando nos morre um amigo a não ser morrer um pouco também… Nasceu às minhas mãos e toda a sua curta vida esteve comigo 24 horas por dia. O vazio deixado por si é de uma dor imensa.
Era o primeiro a dar-me os bons dias. Tentava secar-me os pés quando eu saía do chuveiro. Aguardava pacientemente que eu o penteasse porque já sabia que o esperava uma guloseima. Era o meu companheiro de brincadeiras com aquela jovialidade de cachorro que nunca perdeu. Era traquinas, matreiro, um reguila. Era tão amado nessas alturas de traquinísses como quando era um doce mimado. Adorava dar lambidelas. Nunca vi cão tão beijoqueiro. Foi amado sempre.
Hoje, depois de um dia normal vinha comigo e com a mãe da loja onde trabalho e onde ele estava todo o dia comigo a fazer asneiras e a distribuir carinhos pelos clientes. Era sempre uma euforia o regresso acasa. Hoje não chegou ao seu destino. Estava sem trela – nunca me hei-de perdoar por isso – pois, tal como a mãe, seguia-me pelo passeio. Só há poucas semanas tinha deixado de andar com a trela. Erro nosso. Vinha a brincar com outro cão pela rua acima quando, sabe-se lá porquê, na euforia da brincadeira, decidiu correr, como nunca tinha feito, para a estrada. O destino tinha-lhe guardado um carro a passar nessa mesma altura a alta velocidade.
Uma pancada forte na cabeça levou aquele pequeno ser em poucos instantes. Morreu a sangrar, nos meus braços. O seu pequeno mundo terminou sem tempo para despedidas. Parou tudo. Ficou o vazio. Não vi mais nada. Só peguei nele ao colo e corri para casa a escassos metros. Quando o deitei numa toalha já não estava comigo. Já não ia brincar mais com a bola de borracha toda roída. Já não ia massacrar a gata com as suas lutas a fingir. Já não me ia morder as sandálias. Já não me ia lamber as mãos ou aninhar-se comigo nas nossas sestas de Domingo.
Vazio.
O que fazer quando nos morre um amigo a não ser morrer também um pouco?
Temos saudades…


4 comentários:

Duda disse...

Tu sabes como eu adoro cães, embora não tenha nenhum, é com lágrimas que caem apressadas que te escrevo. Porra que coisa tão estúpida, que dizer? Que mais há para dizer? Amigo, de certeza que ele sabe o quanto o amavas e, no céu dos cães onde ele está agora, deve andar na brincadeira. Força, o importante é que nunca o irás squecer e tiveste oportunidade de brincar e de o fazer feliz. Beijo

fastminds disse...

Sinto muito. :(

Eu sei o que é perder um animal que nos acompanha para todo o lado...

Força

Patrícia disse...

Percebo a tua tristeza e o vazio que sentes... a minha cadela tb foi atropelada a primeira vez que andou sem trela (e eu tb me culpei), mas felizmente sobreviveu (mesmo com apenas 3 patas é feliz)... Mas acontece e daqui a algum tempo, podes sempre deixar que outro "bixinho" de 4 patas venha ocupar um pc desse vazio... há tantos a precisar de um dono e de carinho...
bjs

Val disse...

Ai que triste!
Eu tb perdi meu cãozinho, sinto tantas saudades dele!
Cães são como crianças que não crescem, estão sempre a brincar e a dar carinho aos seus donos...
Sinto muito pela sua perda...