terça-feira, janeiro 31, 2006

Oscars 2006 - Nomeações


Saíram hoje as nomeações para os Óscars deste ano.
O filme Brokeback Mountain vai à frente logo à partida com 8 nomeações. Vamos ver como se vai portar.
De resto podem ver a lista das nomeações aqui.
Um destes dias eu faço aqui a minha lista de favoritos.

domingo, janeiro 29, 2006

Da minha janela

Let it snow, Let it snow, Let it snow...

Ainda há pouco o meu irmão me telefonou a dizer que nevava em Vila Franca de Xira e agora, pouco depois das três da tarde, neva, pela primeira vez em muitos anos, em Benfica!...
As pessoas, apesar do frio, sairam para ver o espectáculo dos abundantes flocos de neve a rodopiar pela rua.
"É Natal!" - Alguém gritou de uma janela!

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Crescer

Há muito tempo que não me morria alguém próximo. Minto, ainda o ano passado morreu o meu primo Armando e uma grande amiga da mãe.
Vou começar de novo.
Eu sempre fui averso a funerais. Consegui sempre escapar, com a desculpa de que queria guardar uma recordação da memória da pessoa viva, que me fazia impressão, com o trabalho. Enfim, na minha já longa vida, acho que fui a dois ou três funerais e, mesmo assim nunca tinha visto nenhum cadáver, nunca tinha ido a um velório, nem tinha assistido ao acto de enterrar alguém.
Com a morte do meu avô, tudo mudou.
Já estava há alguns dias no hospital e já nos tinham avisado que era bastante grave, mais do que podíamos imaginar, mas no entanto pensa-se sempre que são coisas da idade. Não se esperava que o meu avô fosse para o hospital para morrer.
Talvez por isso não cheguei a ir vê-lo ao hospital em Santiago do Cacém. A última vez que o vi vivo, foi no último Natal.
O meu pai estava desgastado, envelheceu com todo este processo de ver o pai definhar. Foi-se um bocado abaixo. A minha mãe apoiou-o mas no fim os nervos e o cansaço também se apoderaram dela. Precisaram de nós. De mim e do meu irmão.
O meu avô morreu às 19:20 de Domingo e os meus pais foram informados pelo hospital perto das 22h. Porque não valia a pena incomodar ninguém durante a noite, só avisaram toda a gente na manhã seguinte. Perto das oito da manhã de Segunda Feira quem me telefonou a mim foi o meu irmão.
Fiquei em estado de choque. É muito difícil para mim chorar nestas situações e geralmente vou-me abaixo depois de tudo passar. Não sei se foi o facto de saber que era importante para o meu pai que nós estivéssemos lá, mas nem coloquei a hipotese de não ir. Tremi que nem varas verdes só de pensar que me podiam fazer ver o corpo, se teria, como neto, que carregar o caixão... Montes de idéias me vieram à cabeça e os nervos são incontroláveis.
Tratei de arranjar maneira de deixar as coisas mais ou menos tratadas na loja e fui, nessa manhã, com o meu irmão e cunhada, para baixo. Os meus pais pediram para o meu companheiro não ir o que me deixou um amargo de boca, mas ele disse que compreendia o ponto de vista do meu pai pois eram alturas muito emotivas. Hoje faz algum sentido pois a emoção é complicada de controlar e com ele lá teria sempre buscado o seu apoio. Enfim...
Fomos ter com o meu pai e mais alguns membros da família à morgue do hospital. O meu avô já estava vestido e no caixão e o meu pai estava à nossa espera para o vermos.
"Queres ver o avô?" - Perguntou-me.
"Sim, claro..." - Respondi sabendo que era esta a resposta que o meu pai queria ouvir.
E assim vi o meu avô. Morto. Foi um choque de poucos segundos pois só o notei mais envelhecido e com ar de doente. Nada de especial... Até fiquei admirado com a minha reacção e o meu medo dissipou-se.
Ao chegar-mos à igreja, já em Milfontes, fui a pé buscar a minha avó a casa, que era relativamente perto. Estava lavada em lágrimas, o que não é difícil para ela pois emociona-se muito facilmente, mas neste caso tinha mais do que razão.
"Já perdeste o teu avô!..." - foi o que me disse quando me viu. - "Nunca pensei que ele morresse tão depressa!". Já não me lembro o que lhe respondi. Nada a podia animar e dei-lhe só algum carinho. Também ela me pareceu uns anos mais velha desde o Natal.
O que mais me emocionou e o que me fez chorar, foi ver a minha avó chegar ao caixão e ver, pela primeira vez, o marido morto. Foram 58 anos de casados e de partilha de tudo. Sei que uma parte da minha avó morreu também ali. Parece que agora, o que cá está a fazer não é viver, é esperar, também ela, pela morte. Foi muito triste.
Tudo o que se seguiu acho que vou recordar para toda a minha vida pois foi vivido com intensidade e pela primeira vez. O "participar" nas coisas fez-me crescer um pouco e ver a morte e todo o ritual á volta dos serviços fúnebres de outra maneira. Dei por mim a pensar em como eu gostava que fosse o meu funeral, coisa estranha.
O meu avô tinha seis irmãs, uma já falecida, e dois irmãos. Todos casados e com filhos, netos, bisnetos, etc. Junta-se a família do lado da minha mãe que tem onze irmãos e mais amigos de uns e de outros e podem ver a quantidade de gente que foi, que me veio dar os pêsames, que eu não via há anos, que gostou de me ver, que quis falar comigo, enfim, para mim, um verdadeiro bicho do mato, esta foi uma passagem aterradora, mas com a qual, como tudo, nos habituamos a lidar. Tratei de flores para o funeral, ajudei os meus pais, apresentei as pessoas que não se conheciam, acompanhei no velório, conversei com a minha avó. Fiz muitas coisas que sempre me fizeram confusão e que me pareceram agora naturais.
Não gostei também de algumas coisas e, mesmo compreendendo que as pessoas tenham reacções várias à morte, não gostei de ver quase a "festa" que foi o velório. Não gostei de ver as pessoas a rirem despreocupadas a poucos metros do caixão onde estava o meu avô morto. Pareceu-me mórbido. O meu pai também não gostou, mas numa família grande, para descomprimir conversa-se e passado um tempo estava muita gente numa alegre cavaqueira. É difícil a família toda se juntar sem ser numa altura assim. Quando foram buscar chá e bolinhos, perto da meia noite, foi a minha hora de me retirar. Não percebo o porquê da maratona de ficarem todos a velar o morto pela madrugada fora. As pessoas ficam mortas de cansaço e o benefício não é nenhum.
Na manhã seguinte, e para encurtar este testamento, as emoções, talvez pelo cansaço, estiveram a rubro e foi preciso acalmar muita gente. Os meus pais estavam muito cansados, verdadeiramente tristes e emocionados. Ocupei-me da minha mãe e não a larguei um minuto. Estava num estado de nervos como poucas vezes a vi. Foi assim, juntos, que assistimos ao serviço fúnebre e ao enterro. Nós os quatro, a minha cunhada e dois primos fomos os últimos a sair do cemitério, antes um local que me assustava e, depois de tudo, só um lugar onde as pessoas "repousam". Visitei a campa do meu primo, da grande amiga da minha mãe e voltámos para casa.
Porque não quis massacrar a minha mãe a ter de fazer o almoço, sugeri irmos almoçar fora. A idéia agradou. Fomos buscar a minha avó e almoçámos todos num restaurante da vila.
A tarde, até ao regresso a Lisboa, foi passada a ler e a dormir. Os meus pais deitaram-se, o meu irmão deitou-se e eu acabei por adormecer também.
A vida continua e o Joquinito, como nós chamavamos ao meu avô, já não sofre mais, e estará sempre nas nossas memórias e nos nossos corações.

terça-feira, janeiro 24, 2006

Avô Joaquim 1926-2006

O meu avô faleceu no passado Domingo, dia 22, pouco depois das 19 horas.
Tenho bastante para escrever sobre o assunto, ou para reflectir sobre muitos aspectos da minha ida à terra para todo um ritual, para mim desconhecido, do último adeus ao meu avô.
Entretanto acabei de chegar a Lisboa, estou cansado, baralhado e preciso de assentar idéias primeiro.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Ramificações

Este blog tem estado mais parado porque tenho saído pouco (ou nada), continuo a ler a autobiografia de Gerald Durrell e pouco tenho tido para contar ou comentar!
Entretanto os meus outros Blogs, aos quais eu chamo de ramificações, têm andado mais animados porque acabam por ser divertimento e o mundo onde eu me movimento.
Assim, se gostam de insectos têm o Vida de Insecto, se gostam de jardins têm o Green Man, se gostam de animais, têm o Bichos do Mato, se gostam de porquinhos da índia têm o Mundo Cavia e se gostam de cães têm o Diário da Wendy!
E destes, têm ainda mais ramificações (links) interessantes sobre os mesmos temas.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Os velhos da minha rua!...

A minha rua tem muitos velhos.
O meu prédio também os tem. É uma daquelas ruas que parecem um pequeno bairro onde toda a gente se conhece e dá-se os bons dias com frequência!
Entretanto a média de idades é muito alta e são muitos os velhotes que por ali vivem, deambulam, resmungam, se riem, conversam e se põem à janela a ver quem passa.
A minha vizinha da frente é uma mirone daquelas!
Passa a vida à janela e qualquer dia vê alguma coisa que não quer ver. O meu companheiro detesta a velha por causa do seu constante posto à janela. Já está tão habituada a estar "de vigia" que já olha, observa e volta a olhar sem se importar que as pessoas vejam que estão a ser observadas. Nem desvia o olhar quando olhamos directamente para ela. É viúva e o seu posto de duas frentes é à janela. Digo de duas frentes pois está vendo a televisão e vendo a rua. Por vezes debruça-se tanto que um empurrãosito leve e milagroso ensinava-lhe uma lição...
Dois prédios acima do meu, todas as manhãs, quando vou passear os cães, encontro e cumprimento dois velhotes. Têm duas casitas comerciais, uma em frente da outra, e vão conversando, ou os dois, ou com quem passa. Cumprimentam-me, tratam-me por vizinho e metem-se com os cães. Um tem uma florista e outro tem uma espécie de taberna onde vende fruta e de tudo um pouco. Estão por ali.
O "Vitinho", como o taberneiro lhe chama, só vai abrir a florista perto das oito da manhã. A mulher chega mais tarde e ele ou fica por ali ou abandona o seu posto. Tem uma motorizada bordeaux e limpa com afinco, diáriamente, os espelhos e os cromados da mota. O taberneiro, que é vesgo ou tem um olho de vidro, mete-se com ele e diz-lhe que está sempre a ver-se ao espelho.
O bom húmor impera.
E são assim, alguns velhos da minha rua. Para quem a vida passa devagar.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Uma semana ...

Uma semana pra esquecer...

- Foi diagnosticado um tumor ao meu avô, que continua internado.
- O país está politicamente num caos.
- O país está economicamente num caos.
- Quem faz as coisas "by the book"parece que passa por parvo...

Por um lado podia correr tudo tão bem... mas não corre.

Este ano está a começar muito mal.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Gazeta Animal

Ai que prazer, ter qualquer coisa de jeito para ler...

Um novo jornal, mensal, de distribuição gratuita.
Onde o Animal é notícia!...

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domingo, janeiro 08, 2006

Família...

- O meu avô foi ontem para o hospital e ficou internado. Tem graves problemas respiratórios, um cancro na pele e 79 anos que já não ajudam nada...
- A minha avó ontem tremia de ansiedade, cansaço, pânico de perder o seu companheiro, enfim...
- O meu pai está desesperado com a possibilidade de perder o pai.
- A minha mãe precisa de falar com alguém. Está os dias inteiros sozinha em casa, sem ninguém com quem conversar. O meu pai chega do trabalho e cola-se à televisão num silêncio sepulcral.
E eu não sei o que fazer... posso fazer alguma coisa? Ando triste.

Eleições...

... candidatos, campanhas, etc etc etc... são palavras proibidas na minha casa. Já não vemos quase telejornais para evitar os blocos noticiários da campanha. Já não posso com nenhum dos candidatos...
Descobri ontem que nem devo estar em Lisboa no dia das eleições e por isso não devo votar.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

A tradição

É tradição nossa que o primeiro almoço do novo ano seja num restaurante chinês.
Tudo começou há uns oito anos, quanto queriamos encontrar um restaurante aberto no dia 1 e estava tudo fechado excepto os chineses!
E depois ficou como uma tradição nossa pois parece que a cozinha chinesa não é tão pesada e sabe bem depois de tudo o que comemos no Natal e passagem de ano.
Este ano o escolhido foi o NI-HAU. Não foi nada de especial.
Fomos os dois com o nosso amigo João Lin.
Valeu pela conversa calma.

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[001] Postal Ilustrado

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Lisboa - 1 Janeiro 2006
A fonte do jardim em frente ao Jerónimos foi ligada.
comemorações do Ano Novo ou por causa do LISBOA-DAKAR?
Um primeiro dia do ano com algum sol e nuvens de algodão.

domingo, janeiro 01, 2006

Fumar menos em Espanha

Espanha é, a partir de hoje, o país europeu onde existem mais limitações ao acto de fumar.
Reduções de locais de venda.
Multas até 600 Euros se for apanhado a fumar em locais onde não deve.

Mas porque é que não deixam as pessoas se suicidarem à vontade???

Agora a sério, cada vez admiro mais o povo espanhol.

Janeiro

O primeiro mês do ano.
O seu nome deriva do deus romano Janus, que se representava com duas faces que olhavam em direcções opostas, uma para o passado e outra para o futuro.
Janus representa também os novos começos...

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Novo Ano

2006 apresenta-se a nós
como uma tela
em branco onde
cada um vai representar-se
ao longo de cada
mês,
dia,
hora,
minuto

Cada segundo é importante...
Há que os aproveitar!