quinta-feira, abril 12, 2007

Areia nos Olhos...

Toda esta conversa sobre se se pode tratar o Primeiro Ministro José Sócrates por 'Sr. Engenheiro' ou não, já aborrece. Nunca dei ao assunto a mínima importância, mas os canais de televisão e jornais não falam de outra coisa. Até cansa!
Entretanto, e por falar em escolaridades, parece que o governo arranjou uma medida para que Portugal, estatisticamente, desça uns pontos na percentagem da população sem a escolaridade mínima. Passo a explicar.
A minha mãe, com 59 anos de idade, só tinha a quarta classe. Este ano, no início do ano, propuseram à população portuguesa que se podia aumentar a escolaridade e, para isso, bastava assistirem a umas aulas e fazerem uns trabalhos, etc. A minha mãe estava indecisa se ia ou não e decidiu ir com outra amiga, no puro divertimento e para aumentar a cultura geral, pois uma dona de casa de 59 anos não precisa de estudar a não ser por prazer. Como a minha mãe nunca trabalhou com um computador e iam haver aulas de informática, e para se distrair, pois está muito tempo sozinha em casa, incentivei-a a ir a essas aulas, na desportiva.
E assim foi, durante uns meses, uma vez por semana, duas ou três horas de aulas, a compilação de um dossier com a sua biografia e aspectos da sociedade do meio onde vive, algumas aulas de matemática, algumas fichas feitas e a minha mãe está já, neste momento, com a escolaridade do 2º Ciclo, com diplomas dados, numa cerimónia onde discursou o presidente da Câmara de Odemira, etc... E agora, com mais um mês de aulas e fica com o 9ºano, ou seja, a escolaridade obrigatória. A minha mãe e muitos outros adultos que frequentaram aquelas aulas fazem a equivalência de 5 anos de escolaridade em meia-dúzia de meses e o país, de um momento para o outro sofre uma descida vertiginosa da taxa de analfabetismo...
Um bom plano do governo?
Talvez. Para pessoas como a minha mãe, que não precisam do diploma para nada, acho bem que se façam iniciativas de modo a estimular o cérebro de pessoas adultas que praticamente só lêem as legendas da televisão (não é o caso da minha mãe), agora para gente mais nova, com 30's e 40's... e que podem usar os diplomas num curriculum, que conhecimentos têm estas pessoas para trabalhar com outras que levaram nove anos a fazer a escolaridade mínima?
Mas o objectivo era mudar as percentagens... não era?

1 comentário:

Patrícia disse...

olá olá

Esses "cursos" não são invenção deste governo. São leccionados mais ou menos desde que Portugal entrou para a comunidade Europeia.
Antes disso, depois do 25 de Abril tivemos as "licenciaturas" oferecidas às antigas regentes que de um dia para o outro foram equiparadas às professoras devidamente licenciadas pelos magistérios.
O que eu noto é que dizer que se tem um curso, um bacharelato, ou o 12º ano é mais importante do que realmente aprender alguma coisa.
Ironicamente nestes cursos de equivalências a maioria das pessoas que os frequenta fá-lo apenas para enriquecimento pessoal. E eu acho isso fantástico.

fica bem
Patrícia