sexta-feira, janeiro 23, 2009

Casamentos entre Homossexuais

No jornal de Sexta-Feira, apresentado pela Manuela Moura guedes, estive a assistir à notícia sobre o casamento entre homossexuais. O primeiro ministro José Socrates, que há poucos meses não achava oportuno a discussão da aprovação do decreto de lei. - O povo português ainda não estava preparado para esse assunto. - Já diz que vai fazer tudo para a aprovação da lei, na opinião do comentador da TVI, para 'piscar o olho' ao eleitorado da Esquerda nas próximas eleições. Entretanto Mário Soares diz que a aprovação os casamentos entre os homossexuais faz parte do Socialismo radical.
Na minha terra, que é uma terra pequena, também só são aprovadas obras em vésperas de eleições. Eu pensava que era coisa de provincia. Afinal também na capital se funciona assim... Triste. Mesquinho. Pequenino.
Entretanto há poucos dias dei a minha opinião sobre o assunto num fórum de livros onde também se conversa sobre outros assuntos importantes.
Diziam por lá que "É verdade, ser gay não é apenas uma escolha."
E ainda "O que me choca, e o que me deixa desanimado é esta necessidade que a comunidade homossexual tem de querer ser igual em tudo, quando evidentemente representam uma alternativa."
Ao que respondi:
Ser homossexual não é NUNCA uma escolha. Os homossexuais querem ser iguais em tudo porque supostamente são iguais em tudo, direitos e deveres, como qualquer ser humano.
Eu sou homossexual e vivo com o meu companheiro há 14 anos. Só sou defensor do casamento entre homossexuais porque acredito que é um direito que TODOS deveriamos poder usufruir. Não falo do casamento católico, muçulmano ou budista porque sou ateu e nenhuma das religiões me diz alguma coisa. Falo sobre o tal contrato, que não é realmente mais do que isso, um contrato em que existem parcelas contratuais, deveres a serem cumpridos e benefícios para ambos os contratuantes. No então, como para mim esse contrato é uma palermíce e como o que me interessa são os sentimentos entre duas pessoas, não os contratos inventados pelos homens, não pretendo casar mesmo que a lei seja aprovada. Para mim, estou casado há muito tempo. Só o farei se isso for a diferença entre a aplicação ou não de um testamento, de haverem ou não direitos de visita num hospital, de se poderem ou não ter os mesmos direitos, por vezes tão simples que até nos esquecemos deles. Quanto à adopção. É tudo uma questão de mentalidades. E infelizmente os problemas são todos de quem observa uma adopção de longe. Quantas pessoas foram criadas por tias, por um avô, por um pai ou uma mãe solteira sem quaisquer problemas?Só se deixa de ver uma adopção por um casal homossexual como uma coisa muito diferente, quando começarem a haver adopções e até ser normal. Antigamente um filho de pais separados era uma aberração, hoje é muito comum. Acho um egoísmo sem tamanho pensar que uma criança está melhor sem ninguém ou numa instituição do que num lar com uma família que o ame verdadeiramente. E não me venham dizer que as famílias heterosexuais, ou católicas, etc são exemplos de alguma coisa para alguém... Basta que leiam um jornal qualquer para verem milhares de 'bons' exemplos. É simplesmente a minha opinião.

3 comentários:

Cristina Bernardes disse...

Todos iguais, todos diferentes... Bonito e corajoso testemunho.

pinguim disse...

Eu assino por baixo a tua opinião, inteiramente.
Apenas não concordo que esta tomada de posição de Sócrates seja eleitoralista, pois alguns votos que pode ir buscar à esquerda chamada radical, perde-os na imensa homofobia do nosso povo e no catolicismo quase imperativo nos partidos de direita...
Abraço.

Patrícia disse...

Olá Draco!
O que a mim me faz confusão é porque é que há pessoas que estão contra o casamento entre homossexuais. É que a mim, que sou heterossexual, o casamento entre dois homens ou duas mulheres, não me faz mal. E se não me faz mal, e permite que se evolua em termos de justiça e igualdade só posso ser a favor.
Espero sinceramente que esta questão nunca vá a referendo, que seja aprovada politicamente, porque é uma decisão politica. Não é uma decisão de emoções. Nem é uma decisão do povo, se duas pessoas particulares podem fazer um contracto.
Gostei de ler o teu post. Uma opinião pensada e acima de tudo uma opinião coerente.
beijinhos
pat