terça-feira, fevereiro 24, 2009

MILK - O Filme

Fui ontem ver o filme MILK ao Saldanha Residence. Fiquei agradavelmente surpreendido com a quantidade de público hetero na sala e preocupado com os poucos gays na sala. Enfim, pode ser que, como o filme está em cartaz já há algum tempo, os gays tenham sido mais ansiosos e tenham ido logo ver o filme.
Devem ver este filme. Toda a gente deveria ver este filme.

Gostei do filme num todo. Do argumento, da realização, do trabalho de actores, do ar 'seventies', das cores. Não é um filme chato apesar de por vezes parecer estarmos a assistir a um documentário.
Gosto do facto do filme focar uma idéia fulcral. Apesar de estilos de vida com os quais muita gente não concorda, apesar de muita coisa, a idéia principal é que a homosexualidade não é uma aberração, que qualquer homosexual pode levar uma vida normal e deve ter os mesmos deveres e direitos que qualquer outro ser humano.
Por vezes é dificil para as gerações mais novas terem a noção do que era antes da Internet, antes do aparecimento de toda esta cultura gay que hoje está acessível a todos. Uma cultura que nasceu da necessidade de se espalhar o facto que de É NORMAL e de que HÁ MAIS GENTE ASSIM. A solidão e a aceitação de nós mesmo, como somos, é o principal problema da homosexualidade. E aí acho que o filme tem um grande papel histório. Mostrar como foi. Antes.
Ainda bem que houve um Harvey Milk.
E aqui vos deixo o trailer. Vão ver e pensem um bocadinho sobre o que o filme transmite.





2 comentários:

Pedro disse...

Olha, fui ontem ver este filme.

Não posso dizer que esteja completamente desiludido, mas esperava mais. Penso que não teria perdido nada se esperasse pelo DVD.

Acho que ia com outras expectativas. É um bom filme, mas não achei um filme especial.

Os Óscares que ganhou (Melhor Actor e Melhor Argumento Original) são, sem sombra de dúvidas, bem merecido. Começo a achar que sou parecido aos júris da Academia, pois este ano concordei com praticamente todos os Óscares, faltando ver o filme "Quem Quer Ser Bilionário" (o que até parece mal, pois eles costumam ser mauzinhos para com os filmes... =S).

Tirando o Sean Penn na sua actuação mais do que excelente, não senti. Não me atingiu. Um filme heterogéneo, há cenas bastante fortes e há outras enfastiantes.

Por exemplo, estava à espera de sentir mais na pele a luta dos homossexuais. Deram demasiada importância à vida pessoal e à rotina de quem estava no Castro a pensar no futuro, e isso pareceu tornar toda a luta demasiado superficial. Faltou ver a "máquina" a mexer, percebes o que quero dar a entender? Esperava mais algum movimento, mais alguma tensão, e as cenas em que conseguimos ver isso não são muitas e demasiado soltas.

No entanto, adorei a maneira como montaram as filmagens de hoje com as de há coisa de 30 anos trás! Simplesmente magnífico como fizeram do filme quase documentário.

Acho que já me alonguei a querer expressar a minha opinião *blush*.
Não deixa de ser um bom filme, mas não achei assim TÃO especial. Para além do "documentário" (repara, nem foi esta parecença que achei chata, pelo contrário!) e da interpretação de Penn, não me ofereceu muito mais =/

Acima de tudo, um pequeno apontamento sobre os direitos humanos, de todos, independentemente de orientação sexual, religião, etnia, whatever! Quanto à audiência, também notei isso e acho que as pessoas cada vez mais aceitam com naturalidade. Por muito preconceituosas que algumas pareçam. Acho que as pessoas aderiram bem ao filme, como dizes já não estamos nos "seventies" ;)

pinguim disse...

O meu entusiasmo, no que referes no teu texto, vai mesmo para o público, pois é mais importante que este filme seja visto pelos heterossexuais do que por nós que o vimos ou veremos, de certeza.
Abraço.