quarta-feira, junho 06, 2012

A minha Herança

No passado dia 26 de Abril morreu a minha tia. Já aqui escrevi sobre o assunto. Entretanto essa minha tia deixou-me, a mim e ao meu irmão, a casa que tinha na minha terra, perto da casa dos meus pais. A minha primeira reacção foi - Vende-se! - Só eu sei como o dinheiro vinha resolver tanta coisa na minha vida, mas não, não pode ser. Para além de não ser uma boa altura para vender casas, a minha mãe tinha uma coisa má. Enfim. Esquece-se a ideia de vender. 
Entretanto, como um dos herdeiros ou legatário, ou sei lá o nome que se dá nestes casos, tenho andado eu a tratar de toda a papelada por causa do óbito. Nunca pensei que morrer desse tanto trabalho. Vai aqui, vai ali, tira uma cópia, pede uma declaração, vai-se ao notário, vai-se ao banco e as Finanças que ficam com uma fatia. Estou um bocado cansado e tenho andado numa roda-viva.
E mexer nas coisas da minha tia? Ora aí está uma coisa que achei complicado. Ela tinha 61 anos, não estava doente nem à espera de morrer e revistar todas as gavetas, tirar as roupas, ler todos os documentos, ver tudo o que estava naquela casa deixa-nos uma sensação estranha. Aquilo são as suas coisas privadas. Não devíamos mexer naquilo. Mas tem que ser e lá fui eu e o meu irmão inventariar as coisas, deitar fora muita coisa, queimar muita papelada. A minha tia era uma coleccionadora e guardava tudo, por isso podem imaginar. A primeira fase já está. Faltam outras fases. Muito para limpar.
Nós sabíamos que havia um testamento para nós mas nunca olhámos para a casa como, um dia, nossa. Ela era a mais nova das irmãs e nunca se pensa nessas coisas. E assim, tanto eu como o meu irmão começámos agora a olhar para as casas, são duas separadas por um pequeno jardim, como nossas e até nos entusiasmamos com as ideias que vão surgindo para modificar isto ou aquilo e pôr as coisas ao nosso gosto. Nós somos pessoas que gostam de casas. Sempre tivemos a 'nossa' casa na terra, a casa dos meus pais, mas ter agora uma casa onde ficar sem ter que estar a viver com os meus pais é diferente e dá uma nova perspectiva às idas à terra que eram cada vez mais escassas e agora acho que vão ser muito mais frequentes. Os meus pais são daquelas pessoas que tudo tem que ser feito à vontade deles, como eles querem, onde eles querem... é cansativo. Eu costumava pensar que assim que passava a placa de sinalização de entrada na localidade que voltava a ter 10 anos e tinha que fazer tudo o que os meus pais queriam e tinha que me portar bem. Com 42 anos a paciência já era pouca e passada uma hora já tinha vontade de voltar para Lisboa e para o meu canto. Agora não. Vai ser uma outra experiência. Estar na terrinha, mas à minha vontade na minha casa. E vai acontecer dentro de poucas horas. Vou rumar ao Sul para passar uns dias de descanso e desta vez vou ficar na minha casa. Digamos que estou entusiasmado, não só por ir mudar de cenário como por ir descansar e decorar a casa, tratar do jardim, estar à vontade com os meus cães, levar amigos, enfim. Parece que esta casa me veio reconciliar com a minha terra Natal. Por isso e por tudo o resto, obrigado tia!

3 comentários:

João Roque disse...

É sempre bom ter uma casa diferente, mas nossa, onde estão as nossas raízes.
Que a gozes com saúde.

Helena Maria disse...

que bom! tão feliz por ti :)))))

beijinhos grandes :)

Draco disse...

Obrigado João e Lena!!
:-)